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quinta-feira

Catarata em Felinos


Os olhos são também chamados de "a janela da alma", mas frequentemente para os proprietários de gatos e seus veterinários os olhos dos gatos são também a janela para o gato todo! Isto significa que invariavelmente as doenças oculares em felinos não são primárias e sim secundárias á doenças sistêmicas.

Muitos processos oculares em gatos são secundários á doenças do trato respiratório inferior, como por exemplo aqueles causados por herpes virus HPV-1, clamydia


A maioria das cataratas em felinos é secundária, e em contraste com o cão, cataratas primárias e hereditárias são raras no gato. Até hoje, todas as cataratas relatadas como sendo hereditárias eram apresentadas de forma congênita. Cataratas secundárias podem ser divididas naquelas associadas a trauma, luxação da lente, uveíte anterior ou glaucoma. 

Cataratas traumáticas são relativamente comuns no gato e frequentemente são sequelas de lesão ocular perfurante, particularmente de garras de gatos. Cataratas traumáticas tendem a ser unilaterais e primariamente na região do trauma. Elas frequentemente estão associadas com sinéquias posteriores também. Cataratas traumáticas geralmente são lentamente progressivas.


Quando a ruptura da cápsula da lente é suficientemente grande, proteínas da lente podem escapar, desse modo causando uveíte grave. 

Cataratas também frequentemente ocorrem como sequela de luxação da lente no gato e aparecem como opacidades corticais, subcapsulares difusas. A causa mais comum de catarata secundária felina é a inflamção do segmento anterior (especialmente os tipos crônicos) e elas estão associadas a sinéquia posterior, rubeosis irides, membranas inflamatórias pupilares e perirídica, e progressão lenta.

Quatro tipos de cataratas metabólicas / tóxicas tem sido relatadas no gato:
1. Aquelas que consistem de opacidade da lente anterior e posterior difusas, bem como vacuolização das suturas e, "Y" posteriores em gatinhos alimentados com sucedâneos lácteos disponíveis comercialmente. 
2. Cataratas diabéticas, que são incomuns e aparecem como vacúolos no equador da lente;
3. Aquelas relacionadas com hiperparatireoidismo nutricional secundário e hipocalcemia, que aparecem como opacidades subcapsulares posteriores axiais; 
4. Aquelas resultantes do tratamento tópico prolongado com dexametasona 0,1%, que aparecem como opacidades subcapsulares, presumivelmente posteriores.


O tratamento da catarata é efetivamente cirúrgico por técnica de facoemulsificação com implante de lente artificial.

Prolapso Retal em Felinos

 
É uma condição adquirida que ocorre secundariamente ao esforço para defecação (tenesmo) comum nas seguintes situações: moléstias retais, alterações de próstata, hiperplasias benigna ou não, prostatite, abcesso prostático, colite, corpos estranhos retais, doenças do trato urogenital, cistite, urolitíase, distocia, tenesmo pós operatório.
Não existe predisposição racial ou de idade, porém a maior prevalência ocorre em cães e gatos jovens, parasitados e debilitados. No caso de prolapso anal, observa-se uma salientação de pequena porção de mucosa ao redor do ânus. No caso de prolapso retal, observa-se a protrusão do reto com inversão da mucosa que se apresenta de forma cilíndrica e com coloração vermelha a enegrecida dependendo do comprometimento circulatório, hemorragia ou necrose. 
È importante que se identifique a causa do problema, para posterior prognóstico. Em seguida efetua-se a redução do prolapso e tratamento da causa inicial. A redução deve ser feita nos casos em que o tecido permanece viável sem alteração circulatória importante. Efetua-se uma higienização do tecido com solução isotônica aquecida e massagem do tecido prolapsado e redução do mesmo, e sutura em bolsa de tabaco ao redor da margem anocutânea. 
No pós operatório, ministrar refeições pastosas, emolientes fecais e higienização da região. Nos casos em que o tecido não é viável, efetua-se a amputação retal com ressecção da porção e sutura da parede em padrão simples interrompido. Nos casos de recidiva, pode-se efetuar uma colopexia após laparotomia com redução do prolapso por tração manual e sutura seromuscular do colon ao músculo reto do abdômen.

domingo

Doença Tromboembólica em Felinos

 
Tromboembolia sistêmica é complicação frequente de miocardiopatia, representando risco de vida para o paciente. A estase do sangue no interior de câmaras cardíacas dilatadas e o aumento da reatividade plaquetária se combinam para predispor gatos miocardiopatas para tromboembolia sistêmica. 
Característicamente, um coágulo aloja-se na trifurcação aórtica, resultando em agressão isquêmica grave aos membros posteriores e cauda. A tromboembolia sistêmica também pode acometer outros órgãos, por exemplo rins, trato gastrointestinal e cérebro. Agentes vasoativos (prostaglandinas, serotonina) liberadas por plaquetas no local do trombo provocam constrição de vasos colaterais e regionais, contribuindo ainda mais para a isquemia e reduzindo o fluxo sanguíneo para segmentos terminais da medula espinal.

A ocorrência de trombo em sela promove uma consistente constelação de anormalidades físicas, por exemplo, paresia ou paralisia dos membros anteriores, ausência de pulsação, cianose e pele fria. Tipicamente, a musculatura dos membros posteriores fica firme e dolorida. Pode ocorrer disfunção de órgãos, dependendo da localização dos trombos. Quase sempre os gatos acometidos padecem de cardiopatia subjacente significativa e, frequentemente, insuficiência cardíaca congestiva é precipitada pela tromboembolia sistêmica.

Diagnóstico Primário:

-Exame clínico- paralisia posterior é o sinal clínico mais comum, membros posteriores frequentemente frios e cianóticos.

Diagnósticos Auxiliares:

-radiografia de tórax para avaliação cardio pulmonar
-ecocardiografia
-angiografia
-pressão sanguínea dos membros suspeitos

Tratamento:

- tratar a insuficiencia cardíaca congestiva
-promover circulação colateral
-heparina
-aquecer o paciente
-bicarbonato de sódio
-analgesia
-aspirina

Prognóstico:
Em geral é reservado a grave com índice de óbito bastante alto.

quarta-feira

Dermatofitose (Tinha, Fungo, Micose dos Gatos)


Dermatofitose, frequentemente chamada de tinha, é uma infecção fúngica que acomete as camadas superficiais da pele e áreas cornificadas da pele e unhas. Quase todos os casos felinos (cerca de 95 %) são causados por Microsporum canis. 

O gato também pode estar infectado por trichophyton mentagrophytes e Microsporum gypseum. A exposição direta ao fungo não resulta necessariamente em infecção e nem sempre a infecção causa sinais clínicos. Gatos de pelo longo tem maior probabilidade de sofrer infecções sintomáticas. 


O período de incubação típico vai de 1 a 14 semanas, mas alguns gatos permanecem portadores assintomáticos por longos períodos. As lesões tem o típico aspécto de áreas circulares de alopecia, mas esse aspécto pode ser tão diversificado que devemos suspeitar de dermatofitose em praticamente qualquer gato com doença cutânea, inclusive os acometidos por dermatite miliar. Os fatores de risco são imunossupressão, locais onde vivem muitos gatos, desnutrição, más condições de higiene e ausência de quarentena para novos gatos que chegam a uma habitação onde já vivem vários gatos.



Diagnóstico
Sinais clínicos:

As lesões clássicas podem estar leve ou moderadamente pruriginosas, acompanhadas de alopecia parcial ou maculosa e formação de escamas e crostas. Frequentemente os gatos estão acometidos na cabeça, face, e membros anteriores. Contudo, dermatofitose pode parecer-se com qualquer distúrbio felino na pele ou nas unhas.

-Exame com lâmpada de Wood
-Cultura para fungos

Terapêutica Primária

- Quarentena
-Terapia tópica- clotrimazol / miconazol
-Terapia sistêmica- griseofulvina / cetoconazol
-Controle do ambiente
-Corte dos pêlos
-Vacinação- deve ser associada ao tratamento geral.


A Dermatofitose é contagiosa para os seres humanos, tratando-se de uma zoonose. Cuidado!!


Prognóstico

Alguns gatos tem infecções autolimitantes, mas a infecção persistente, estado de portador ou zoonose justifica o tratamento intenso. Em geral o prognóstico é bom se forem tomadas medidas terapêuticas rigorosas.